quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A solução dos problemas está na família

A solução dos problemas está na família

Todos os dias lemos nos jornais e vemos nos telejornais, reportagens sobre capturas de grupos delinqüentes ou em alguns casos, a dotação de novos implementos para a polícia, ou até mesmo, a inauguração –feita cm grande pompa- de novos centros penitenciários. Entretanto, quase nunca refletimos sobre se estamos atacando os males pela raiz, ou se estamos apenas colocando panos quentes para curar uma doença cujo tumor está no mais profundo da nossa sociedade.

A decomposição social que padecemos hoje em dia não se conserta com soluções esquivas, que vem apenas para remediar as conseqüências mas não buscam ir à origem do próprio problema.

Pessoas abandonadas ao álcool e às drogas, pessoas em cujo interior existe um conflito, que em um princípio formaram parte de uma família, mas que dentro delas não encontraram o espaço que necessitavam e buscaram no lugar menos indicado.

Conflito no interior do coração humano, esse é o problema de fundo que assola a sociedade. Conflitos que podem ser solucionados se reforçada a família, que é a primeira escola onde as pessoas devem ser formadas nos princípios e valores morais que regerão suas vidas.

Entretanto, vemos como a família é constantemente atacada hoje em dia, atacada desde sua própria composição com projetos de lei que buscam equiparar o matrimônio com as uniões homossexuais. Atacada com leis que em vez de fortalecê-la, a debilitam ao dar espaço ao divórcio com mais facilidade. Atacada mediante leis que atentam contra sua abertura à vida ao promover o aborto, enfim, atacada de diferentes maneiras e até mesmo por aqueles que deveriam velar por sua integridade.

Tudo isto destrói as bases da família, ferindo-a de morte porque em seu interior os valores da sociedade de consumo estão substituindo os valores espirituais; trazendo como resultado o vazio de seus membros e a busca de soluções no exterior, quando estas estão dentro do coração humano.

Esta mudança de valores e suas conseqüências, podemos constatá-la cada um de nós dentro dos próprios lares, em um mais que em outros. Já não ha tempo para se comunicar, para dialogar e intercambiar experiências, sonhos e temores entre os membros de uma mesma família; mas sim há tempo para ver mais televisão. Já não há tempo para escutar os filhos ou a esposa ou esposo, mas sim para aumentar a carga de trabalho e para sair com os amigos. E se não ha tempo para conversar e compartilhar experiências com aqueles a quem "vemos", haverá tempo para falar e escutar a Deus?

Esta falta de afeto e acolhida dentro da família faz com que seus membros -especialmente os filhos- sintam suas necessidades básicas insatisfeitas -como o amar e ser amados-, trazendo como manifestações desta frustração o desamor, a violência ou a fuga da realidade mediante o álcool e as drogas.

Fortalecer a família, é um caminho privilegiado para curar a sociedade, do contrário, continuaremos nos enredando nas conseqüências antes mencionadas e continuaremos nos enfrentando apenas com medidas paliativas, criando um círculo vicioso que cada vez se fechará mais.

Fortalecer a família é aproximá-la de Deus, encaminhá-la pelo caminho que Ele traçou para ela e para o qual foi criada.

A ROTINA DE SÃO JOÃO MARIA VIANNEY, O CURA D’ARS

A ROTINA DE SÃO JOÃO MARIA VIANNEY, O CURA D’ARS

“À uma da manhã em ponto, faz a sua oração na igreja.
Confessa as mulheres até às seis.
Às seis, celebra a sua Missa.
A seguir, faz a sua ação de graças.
Depois fica à disposição dos fiéis para abençoar-lhes as imagens e dar-lhes conselhos.
Por volta das oito, ele se permite, a instâncias das moças da “Providência”, ir lá tomar, do outro lado da praça, meio copo de leite sem pão.
Como também elas precisam de conselhos, distribui-os generosamente.
Às oito e meia, está de volta e atende os homens na sacristia.
Às dez, interrompe-se e vai render a sua homenagem a Deus recitando as suas horas menores.
E depois confessa mais um pouco.
Às onze, volta à “Providência” para ensinar o catecismo às crianças, às suas órfãs especialmente, e também a muitos adultos.
Ao meio dia, reza o “Angelus” e retorna à casa paroquial para almoçar.
Atravessar a praça leva cerca de um quarto de hora, porque a multidão se comprime à sua volta; é preciso continuar a aconselhar e a abençoar.
Almoça de pé, rapidamente, muitas vezes enquanto fala, pois os paroquianos mais próximos se aproveitam das refeições para confiar-lhe as suas misérias.
Ainda assim, já ao meio-dia e meia tem de visitar os seus enfermos, sempre escoltado pela multidão que não se cansa de interroga-lo.
Assim que volta à igreja, mergulha no seu breviário, a tempo de ler as vésperas e as completas.
Mal fecha o livro, retorna ao confessionário.
As mulheres o retêm ali até às cinco.
Passa aos homens, que o retêm até às oito.
Enfim, sobe ao púlpito para recitar a oração vespertina e o terço da Imaculada Conceição.
Depois deste longo e penoso trabalho, imaginamos que vá jantar e depois dormir?
Não. Nem sempre consegue jantar; é preciso que receba em sua casa umas quantas almas delicadas, difíceis de convencer ou de dirigir.
Também tem de terminar o seu breviário: matinas e laudes, a parte mais longa.
Com isso chegamos às dez horas da noite.
Não é raro, também, que retorne à igreja a fim de confessar mais um pouco, e que de lá não volte senão depois da meia-noite.
Depois deita-se.
Mas a noite será curta: a nova jornada, como a anterior, começa bem antes do nascer do sol.
Façamos as contas. O Pe.Vianney trabalha pelo menos vinte horas. Quinze ou dezesseis, no mínimo, transcorrem ouvindo confissões, tanto na capela de São João Batista, dentro do confessionário onde atende as penitentes, quanto na sede de madeira dura da sacristia, onde recebe os penitentes.
Terá tido duas horas a sós com Deus?
Mas ele está sempre com Deus.
Este regime há de durar trinta anos”

(fonte: GHÉON, Henri. “O Cura d’Ars”. São Paulo: Quadrante, 1998)